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Multas e Infrações 2026-08-11 10 min

Multa por Tacógrafo Avariado

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O tacógrafo avariado é um dos motivos mais comuns de autuação nas estradas brasileiras — e também um dos mais evitáveis. Muita gente só percebe que o aparelho parou de registrar corretamente quando o caminhão é retido numa blitz da PRF: multa aplicada, veículo no pátio, frete perdido e dias parados. O pior é que, na maioria dos casos, o problema já vinha dando sinais havia semanas — um mostrador que falha, um registro que não sai, um lacre vencido que ninguém olhou.

Neste guia completo, você vai entender o que a lei considera tacógrafo avariado, quando o equipamento é obrigatório, qual o enquadramento e as consequências de rodar com o aparelho irregular, como funciona a fiscalização, quanto custa regularizar tudo e como se prevenir para nunca mais passar por isso. Continue lendo até o final para montar a sua rotina de proteção.

Resumo rápido: O tacógrafo é obrigatório em veículos de carga com peso bruto total (PBT) acima de 4.536 kg e em veículos de transporte de passageiros com mais de 10 lugares, conforme a regulamentação do CONTRAN. Conduzir o veículo com o equipamento obrigatório ineficiente ou inoperante — ou seja, avariado — é infração prevista no art. 230 do Código de Trânsito Brasileiro, de natureza grave, com multa e retenção do veículo para regularização. Se o lacre estiver violado ou adulterado, o enquadramento é gravíssimo, com apreensão do veículo. Os valores das multas de trânsito são atualizados periodicamente — consulte a tabela de valores do órgão de trânsito.

O que é considerado tacógrafo avariado?

Para a lei, um tacógrafo avariado não é apenas o aparelho quebrado, com a tela apagada ou o ponteiro parado. O conceito é mais amplo: qualquer situação em que o equipamento deixe de registrar corretamente velocidade, distância e tempo de direção torna o veículo irregular. Isso inclui o aparelho ineficiente — que funciona, mas registra errado — e o inoperante, que simplesmente não registra.

Na prática, a fiscalização trata como avariado o tacógrafo que apresenta qualquer uma destas situações:

  • Aparelho quebrado — tela apagada, ponteiro parado, sem funcionamento algum
  • Registro impreciso — velocidade, distância ou tempo marcados de forma errada, com desvio além das tolerâncias técnicas
  • Equipamento intermitente — registra em alguns momentos e falha em outros
  • Lacre rompido, violado ou vencido — sinal de que a verificação metrológica não está em dia ou de que houve adulteração
  • Verificação metrológica vencida — mesmo funcionando, o aparelho perde a validade quando o certificado vence
  • Disco diagrama ilegível (no modelo analógico) — papel rasgado, molhado ou sem registro dos dados da viagem

O detalhe que mais pega o transportador é o último item: o aparelho pode estar fisicamente funcionando, mas com a certificação vencida ele é considerado irregular. Para a lei, "funcionando" e "regular" são coisas diferentes — e é o segundo que interessa numa fiscalização.

Quando o tacógrafo é obrigatório?

A obrigatoriedade do tacógrafo é definida pela regulamentação do CONTRAN. Em linhas gerais, o equipamento é exigido para:

  • Veículos de carga com PBT superior a 4.536 kg — a grande maioria dos caminhões em circulação, dos tocos e trucks às carretas e bitrens
  • Veículos de transporte coletivo de passageiros com mais de 10 lugares

Veículos de carga com PBT igual ou inferior a 4.536 kg — como alguns VUCs e caminhonetes leves — podem estar dispensados, mas é fundamental conferir a regulamentação vigente e o documento do veículo, pois a exigência considera o peso bruto total e varia conforme a configuração. Na dúvida sobre o seu caso, consulte a regulamentação do CONTRAN ou um despachante especializado.

Atenção: a obrigatoriedade não depende do que "sempre foi feito". O tacógrafo precisa estar presente, funcionando, com o lacre íntegro e com a verificação metrológica em dia. Qualquer um desses itens fora do padrão pode gerar autuação — inclusive o lacre com validade vencida, que é um dos pontos que a fiscalização mais confere.

O que o CTB diz sobre tacógrafo avariado?

O Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997) trata do assunto no artigo 230, que lista as infrações relacionadas a dirigir o veículo com equipamentos obrigatórios irregulares. São três enquadramentos que envolvem o tacógrafo avariado, cada um com natureza e consequência diferentes:

Situação Base legal (CTB) Natureza Medida administrativa
Tacógrafo avariado (ineficiente ou inoperante)Art. 230, IXGraveRetenção do veículo até regularização
Registrador de velocidade e tempo viciado ou defeituosoArt. 230, XIVGraveRetenção do veículo até regularização
Lacre ou selo violado, rompido ou falsificadoArt. 230, IGravíssimaApreensão do veículo

Qual o valor da multa e quantos pontos?

O valor da multa depende do enquadramento. Para a infração grave (tacógrafo avariado, ineficiente ou inoperante), a base prevista no art. 258 do CTB é de R$ 195,23, além de 5 pontos na CNH. Para a infração gravíssima (lacre violado ou falsificado), a base é de R$ 293,47, com 7 pontos na CNH.

Esses valores de base são atualizados periodicamente pela legislação federal. Por isso, antes de calcular qualquer coisa, confira a tabela de valores de multas vigente (Denatran/Detran) — não confie em valores desatualizados circulando em grupos de WhatsApp. O que não muda é a estrutura: a infração grave por equipamento avariado é multa mais retenção, e a gravíssima por lacre violado é multa mais apreensão.

Pontos na CNH: para o motorista profissional, o acúmulo de pontos tem regra própria — a suspensão do direito de dirigir pode ocorrer ao atingir 40 pontos em 12 meses, independentemente da natureza das infrações, conforme o art. 261 do CTB. Uma única autuação grave soma 5 pontos; algumas autuações somadas e a CNH fica em risco. Não trate a multa como "custo de operação".

O que a fiscalização verifica na abordagem?

A fiscalização do tacógrafo acontece em blitze da PRF, das polícias rodoviárias estaduais e de agentes de trânsito, além de operações conjuntas com a ANTT no transporte rodoviário de cargas. Na abordagem, o agente verifica:

  • Se o tacógrafo está instalado e visível no painel
  • Se o equipamento está funcionando e registrando em tempo real
  • Se o lacre de verificação está íntegro e dentro da validade
  • Se os discos diagrama (modelo analógico) estão disponíveis e preenchidos, ou se a memória do tacógrafo digital está acessível para leitura
  • Os registros de velocidade, tempo de direção e descanso das últimas viagens

Se o tacógrafo estiver avariado, o veículo pode ser retido no local até a regularização — o que significa guincho, pátio, diárias e dias parados. Em operações conjuntas com a ANTT, o agente também confere o RNTRC do transportador, o CT-e e a documentação da carga. Um problema puxa o outro: o caminhão que para pelo tacógrafo acaba tendo toda a operação conferida.

As consequências reais de rodar com tacógrafo avariado

O prejuízo de rodar com o tacógrafo avariado vai muito além da multa em si. Na mesma abordagem, o caminhão pode acumular:

  • Multa de trânsito — grave (equipamento avariado) ou gravíssima (lacre violado), conforme a tabela de valores vigente
  • Pontos na CNH — 5 pontos na grave e 7 na gravíssima, com risco de suspensão do direito de dirigir
  • Retenção ou apreensão do veículo — o caminhão fica parado até a regularização, com custos de guincho e pátio
  • Dias parados — cada dia sem rodar é frete perdido, cliente insatisfeito e despesa fixa girando
  • Multa administrativa da ANTT — se o transportador também estiver com o RNTRC irregular, a autuação por transporte sem registro pode chegar a R$ 5.000 por veículo, somada às penalidades de trânsito
O custo real: um conserto de tacógrafo custa uma fração do prejuízo de uma blitz. Somando multa, guincho, pátio, diárias e os dias parados, uma única abordagem pode consumir o lucro de várias viagens. O aparelho avariado é um problema barato de resolver — desde que resolvido antes, não depois.

Quanto custa regularizar o caminhão e a documentação?

A regularização do tacógrafo em si — conserto, calibração e nova verificação metrológica — é feita por oficinas e instituições credenciadas pelo INMETRO, e o valor varia conforme a região e o tipo de serviço. O caminho seguro é pedir orçamento em uma instituição credenciada antes de fechar o serviço, e guardar o certificado e a nota fiscal: são eles que comprovam a regularização na hora de liberar o veículo retido ou de fundamentar a defesa.

Já a documentação do transporte é outra história: os preços do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) são tabeladas e estão sempre à vista. Confira os nossos valores:

Serviço ANTT TAC (pessoa física) ETC (empresa)
Cadastro (primeiro registro)R$ 276R$ 343
Renovação (revalidação)R$ 324R$ 324
Inclusão de veículo automotorR$ 276R$ 324
Inclusão de implemento (carreta, reboque)R$ 276R$ 220
Alteração de dados cadastraisR$ 171R$ 171
Alteração de placaR$ 110R$ 110
Exclusão de veículoR$ 87R$ 87

Manter o RNTRC ativo e com os veículos corretamente incluídos é a outra metade da prevenção: em uma operação conjunta, o caminhão com tacógrafo irregular e registro pendente acumula os dois tipos de penalidade na mesma abordagem.

Checklist para manter o tacógrafo em dia

  • Cheque o tacógrafo na vistoria diária — junto com pneus e luzes, inclua o aparelho na sua rotina de saída: o mostrador responde? O registro sai?
  • Anote a validade do lacre e do certificado — coloque um lembrete no celular para renovar a verificação metrológica quando houver pendência
  • Carregue discos diagrama extras (modelo analógico) — ficar sem disco é autuação evitável
  • Não rode com o aparelho quebrado "só até a oficina" — o risco de blitz não compensa o trecho
  • Guarde certificados e notas fiscais — são a prova de que o equipamento estava regular
  • Após qualquer reparo ou troca de pneus/diferencial, recalibre — intervenções que alteram a medição exigem nova verificação
  • Mantenha o RNTRC e a documentação do veículo em dia — fiscalização conjunta verifica tudo de uma vez

Perguntas Frequentes sobre Multa por Tacógrafo Avariado

Rodar com o tacógrafo quebrado dá multa?

Sim. Conduzir o veículo com o equipamento obrigatório ineficiente ou inoperante é infração grave (art. 230, IX, do CTB), com multa, pontos na CNH e retenção do veículo para regularização. Se o lacre estiver violado, o enquadramento é gravíssimo, com apreensão.

Qual o valor da multa por tacógrafo avariado?

A infração grave por equipamento avariado tem base de R$ 195,23 e a gravíssima por lacre violado tem base de R$ 293,47, conforme o art. 258 do CTB — mas os valores são reajustados periodicamente. Consulte sempre a tabela de valores de multas vigente do órgão de trânsito antes de calcular qualquer valor.

Quem fiscaliza o tacógrafo do caminhão?

A PRF, as polícias rodoviárias estaduais e os agentes de trânsito fiscalizam o tacógrafo como equipamento obrigatório (CTB). A ANTT não multa por tacógrafo — ela fiscaliza o RNTRC e a documentação do transporte, mas em operações conjuntas os dois tipos de verificação acontecem na mesma abordagem.

Tacógrafo digital e analógico são tratados da mesma forma?

Sim, no essencial: ambos precisam estar instalados, funcionando, verificados e lacrados. A diferença é o registro — o analógico usa disco diagrama de papel e o digital armazena em memória eletrônica com de condutor. A regra da infração por equipamento avariado vale para os dois.

De quanto em quanto tempo o tacógrafo precisa ser calibrado?

A calibração e a verificação metrológica são feitas em instituição credenciada pelo INMETRO, e a periodicidade segue a regulamentação vigente — não existe um prazo fixo que sirva para sempre. O caminho seguro é conferir a validade registrada no certificado e atualizar e regularizar seus dados.

Como recorrer da multa por tacógrafo avariado?

Todo condutor tem direito à defesa prévia e aos recursos administrativos, em geral julgados pela JARI com efeito suspensivo. Erros no auto de infração, comprovação de que o equipamento estava regular ou de que a irregularidade foi sanada podem fundamentar o recurso. Consulte os prazos indicados na notificação.

Qual o prazo para consertar o tacógrafo?

Não existe prazo "de tolerância": rodar com o equipamento avariado é infração desde o primeiro quilômetro. Na retenção, o veículo só é liberado após a regularização comprovada. O conselho prático é parar de rodar com o aparelho irregular imediatamente e resolver na primeira oportunidade — de preferência antes, na manutenção preventiva.

Conclusão

O tacógrafo avariado é uma autuação cara, evitável e que ninguém deveria descobrir numa blitz. A lei é clara: equipamento obrigatório tem que estar presente, funcionando, verificado e lacrado — e qualquer falha nessa cadeia é infração grave, com multa, pontos na CNH, retenção e dias parados. Na gravíssima por lacre violado, entra até a apreensão do veículo.

A melhor estratégia é preventiva: inclua o tacógrafo na vistoria diária, controle a validade do lacre e do certificado, recalibre após intervenções no veículo e mantenha o RNTRC e toda a documentação em dia. Assim, blitz nenhuma tira você da estrada — e, se vier alguma notificação, você tem como se defender com os registros em ordem.

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